sábado, 28 de fevereiro de 2026

Sputnik - Beep-beep, beep

Quando vim morar em Lisboa nos anos 80 e me envolvi com a Astronomia de amadores conheci um antigo aluno do Instituto Superior Técnico que me contou a história deliciosa em que ele e alguns colegas telefonavam para casa de um professor do IST e só diziam beep, beep, beep.

Esta é uma das "pérolas" mais deliciosas da mitologia académica.
O episódio é um exemplo perfeito de como a realidade, às vezes, ultrapassa a ficção — ou, neste caso, de como a ficção científica se tornou realidade depressa demais para alguns académicos.

O "céptico" em questão, cuja história ficou gravada no anedotário do Técnico, era o Professor Herculano de Amorim Ferreira.
Embora fosse uma sumidade (foi Director do Serviço Meteorológico Nacional e professor na Faculdade de Ciências, com fortes ligações ao Técnico e à Reitoria da Universidade Técnica), ele foi a voz pública que, na rádio e na imprensa de 1957, pôs em causa a veracidade do feito soviético.
A Descrença e o "Beep-Beep"

Para muitos professores da "velha guarda" do Estado Novo, a ideia de que a URSS pudesse ter tecnologia para colocar um objecto em órbita antes dos americanos parecia impossível ou mera propaganda comunista.

A Teoria: Alguns defendiam que os sinais de rádio captados eram apenas transmissões terrestres forjadas.

A Reacção: Os alunos de Engenharia, que já estavam "ligados" às novas frequências e tinham uma visão mais prática da tecnologia, não perdoaram.

A Partida: Esse antigo aluno que telefonava para casa do professor para fazer o som do Sputnik — o icónico "beep... beep... beep..." — não era caso único! Tornou-se quase um desporto nacional entre os estudantes de Electrotecnia e Física atormentar os professores "negacionistas" com o sinal sonoro que provava que o satélite estava, de facto, a passar por cima das suas cabeças.

O Contexto de 1957
Nos corredores do Técnico travava-se esta batalha entre o conservadorismo académico e a modernidade espacial.

Com amor e carinho aos palermas que não sabem, mas "acreditam" que o Homem não foi à Lua ente 69 e 72.

Têm milagres da tecnologia nas mãos que nasceram também desse esforço, mas como não entendem, entram em negação e no pensamento mágico.

Para esses... Beep, beep, beep. :) :)


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