Quando
vim morar em Lisboa nos anos 80 e me envolvi com a Astronomia de
amadores conheci um antigo aluno do Instituto Superior Técnico que me
contou a história deliciosa em que ele e alguns colegas telefonavam para
casa de um professor do IST e só diziam beep, beep, beep.
Esta é uma das "pérolas" mais deliciosas da mitologia académica.
O
episódio é um exemplo perfeito de como a realidade, às vezes,
ultrapassa a ficção — ou, neste caso, de como a ficção científica se
tornou realidade depressa demais para alguns académicos.
O "céptico" em questão, cuja história ficou gravada no anedotário do Técnico, era o Professor Herculano de Amorim Ferreira.
Embora
fosse uma sumidade (foi Director do Serviço Meteorológico Nacional e
professor na Faculdade de Ciências, com fortes ligações ao Técnico e à
Reitoria da Universidade Técnica), ele foi a voz pública que, na rádio e
na imprensa de 1957, pôs em causa a veracidade do feito soviético.
A Descrença e o "Beep-Beep"
Para
muitos professores da "velha guarda" do Estado Novo, a ideia de que a
URSS pudesse ter tecnologia para colocar um objecto em órbita antes dos
americanos parecia impossível ou mera propaganda comunista.
A Teoria: Alguns defendiam que os sinais de rádio captados eram apenas transmissões terrestres forjadas.
A Reacção: Os alunos de Engenharia, que já estavam "ligados" às
novas frequências e tinham uma visão mais prática da tecnologia, não
perdoaram.
A Partida: Esse
antigo aluno que telefonava para casa do professor para fazer o som do
Sputnik — o icónico "beep... beep... beep..." — não era caso único!
Tornou-se quase um desporto nacional entre os estudantes de
Electrotecnia e Física atormentar os professores "negacionistas" com o
sinal sonoro que provava que o satélite estava, de facto, a passar por
cima das suas cabeças.
O Contexto de 1957
Nos corredores do Técnico travava-se esta batalha entre o conservadorismo académico e a modernidade espacial.
Com amor e carinho aos palermas que não sabem, mas "acreditam" que o Homem não foi à Lua ente 69 e 72.
Têm
milagres da tecnologia nas mãos que nasceram também desse esforço, mas
como não entendem, entram em negação e no pensamento mágico.
Para esses... Beep, beep, beep. :) :)
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Sputnik - Beep-beep, beep
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